Do boi ao jacaré: fake news sobre vacinas ocorrem há mais de 100 anos no Brasil


Por Danilo Pessôa

Há muitas fake news envolvendo as vacinas contra o novo coronavírus. As notícias falsas vão desde implantação de um chip no cérebro, humanos se transformando em jacarés e alegações mentirosas de que quem é vacinado pode contrair o vírus HIV. A verdade é que esta não é a primeira vez em que são inventadas fake news sobre vacinas na história do Brasil. Talvez o único fato inédito é que, desta vez, as notícias são também disseminadas pela maior liderança do país, o presidente Jair Bolsonaro.

Para entendermos melhor o que ocorreu há mais de 100 anos, vamos voltar no tempo. Mais especificamente em 1904. Naquela época, o Brasil também passava por uma grande pandemia causada pela varíola. Em novembro daquele ano, o Congresso Nacional, sob orientação de nomes como o médico sanitarista Oswaldo Cruz, tornou obrigatória a vacinação em todo o território brasileiro. Apenas os indivíduos que comprovassem ser vacinados conseguiriam contratos de trabalho, matrículas em escolas, certidões de casamento, autorização para viagens etc.

Isso bastou para que um grande levante popular surgisse, nomeado de A Revolta da Vacina. Entre os motivos dos anti-vacinas, estava a alegação de que, quem recebesse o imunizante, feito a base de líquido de pústulas de vacas, ficaria com feições bovinas. Com a revolta popular e de grupos de militares e políticos, o governo foi obrigado a desistir da ideia de tornar a vacina obrigatória. Naquele ano, 3.500 pessoas morreram de varíola.

Anos depois, em 1908, quando o Rio de Janeiro foi atingido pela mais violenta epidemia de varíola de sua história, contabilizando 6.500 mortes, o povo correu para ser vacinado. Ao todo, estima-se que a varíola tenha matado de 300 a 500 milhões de pessoas no século 20.

A vacinação acabou sendo determinante para a erradicação da varíola em todo o território brasileiro. Há 50 anos, o Brasil não registra sequer um caso da doença.

Apesar disso, infelizmente, a desinformação continua epidêmica por aqui.


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