Charlotty, curta metragem nacional, debate as consequências do machismo estrutural na sociedade

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Charlotty, curta metragem nacional dirigido por Philippe Bastos e Gleyson Spadetti, não é só um excelente projeto feito na raça. É um importantíssimo debate sobre o machismo estrutural na nossa sociedade e todos os traumas e consequências que isso pode acarretar.

Baseado na obra teatral do dramaturgo maranhense Zen Salles, o espetáculo teatral “Charlotty e Suas Cores Fortes”, o roteiro conta a história de uma mulher determinada a realizar todos os seus sonhos que, na noite de sua formatura em Direito, sofre um assedio sexual que desencadeia memórias e segredos do passado da personagem há muito tempo escondidos.

Perguntados sobre como foi trabalhar com um tema tão pesado e delicado como este da transfobia e como fazer para que o peso do roteiro não fique pairando sobre eles, Philippe e Gleyson, em um bate papo com o Canal RMC, expõem que "a transfobia, infelizmente, faz parte do cotidiano de nossa sociedade. Ela é mais uma das facetas de um mal maior, o “machismo estrutural”, a raiz de onde nascem e crescem, todos os dias, os piores males de nossa sociedade como o racismo, a misoginia, a homofobia e, praticamente, todas as formas de exclusão. Porque todos esses problemas nascem do fato de que um único arquétipo estrutural histórico, o do “macho branco capitalista”, imponha o que é ou não correto, aceitável e louvável através dos séculos. Então, não importa pra onde você olhe no dia a dia, esse problema está lá, e de maneira real, diferente do ambiente de criação do set – onde sempre estamos lidando com fantasia criativa. Por mais pesado que seja lidar com essas questões na arte o que mais nos machuca é saber que, enquanto filmávamos, e enquanto estamos aqui conversando, centenas de pessoas trans morrem assassinadas a cada minuto no Brasil e no mundo. Isso sim é um peso enorme que devemos lutar juntos, como sociedade, para eliminar".

Usando o suspense como pilar narrativo, e com uma linguagem inspirada nos filmes “21 Gramas” e “Babel”, o thriller mostra, num giro 360º, como um problema classificado, quase sempre, de maneira cruel e irascível pela própria sociedade, como “do outro” ou, inimaginavelmente, “provocado pela vítima”, afeta de modo direto e indireto a vida de todos nós. Como um veneno que se espalha, a agressão sofrida por Charlotty é o estopim que trará o caos a vida de pessoas que sequer imaginam que ela exista – pessoas que, na maioria das vezes, sequer a enxergam como ser humano. 

O elenco é composto por grandes nosmes como Carol Marra (“A Glória e a Graça” e “Berenice Procura”), Cyria Coentro – protagonista da série “Impuros”, do Star Channel -, Eduardo Melo (“De Pernas pro Ar 2 e 3” “Sem Volta” ), Juliana Xavier (“Jezabel” e “Caminhos do Coração”), Gabriel Borges (Malhação) e Bernardo Dugin (“Éramos Seis” e “Gênesis”).

Rodado na cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, produzido pela produtora serrana Projeto6 e Rosana K. Barroso, o filme conta com o patrocínio da Energisa que, através de sua incansável mecenas da arte e da cultura nacional, Mônica Botelho, tornou possível que um filme como Charlotty pudesse nascer num momento em que o Cinema Nacional está sendo sistematicamente atacado e destruído.

Para além do elenco, Charlotty deve sua qualidade audiovisual a um time de grandes nomes do cinema brasileiro, encabeçado por Daniel Clabunde – diretor de arte consagrado na TV e no Cinema, responsável por diversas novelas e séries brasileiras como “José do Egito”, “A Escrava Isaura” e “Caminhos do Coração” da Rede Record -, além de Kleber Paredes – diretor de fotografia dos filmes “O Filho do Homem”, “Conte sua História ou Entregue Sua Alma” e da série “Brasil Imperial”, todos da Amazon Prime -, Gustavo Lopes – Sound Designer vencedor do Leão de Ouro em Cannes pelo filme “Peace Camo By TBWA\RAAD” -, André Miranda – colorista responsável pelas novelas “Gênesis” e “Os Dez Mandamentos” da Rede Record” –
e Gabriela Cima – Designer responsável pela identidade gráfica de Charlotty que, há muitos anos, assina, além de inúmeros lançamentos de filmes e espetáculos teatrais, grandes eventos cinematográficos como o “Festival do Rio” e o “Curta Cinema”. 

O filme, que também trás “Devil in Me”, de Thiago Pethit e Helio Flanders como tema musical da personagem vivida por Carol Marra, estreia no circuito brasileiro e internacional de Festivais de Cinema em junho deste ano, no coração da pandemia, e espera ser mais uma ponte para o debate intenso sobre o qual o mundo inteiro se debruça graças à Covid: o amor e o respeito à vida humana tem limites? É sobre isso que “Charlotty” fala e é como seus criadores esperam que ele seja compreendido.  

Você pode assistir ao curta-metragem Charlotty acessando este link, que fica disponível até o próximo dia 30 de junho: https://festivaldemuriae.com.br/charlotty/

PARTICIPAÇÕES EM FESTIVAIS & PRÊMIOS:

O filme, que terá sua estreia nacional no “Festival de Cinema de Muriaé”, que acontece no site do festival www.festivaldemuriae.com.br de 24 a 30 de junho de 2021, já recebeu 2 prêmios internacionais: 

  1. MELHOR DIREÇÃO, no “Free Film Fest Pro”, em Córdoba, ARGENTINA.
  2. MENÇÃO HONROSA, no “Bangalore Shorts Film Festival”, em Bangalore, INDIA.

TRAILER:


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