Eleições em Campinas: quem são os vencedores e perdedores de 2020?

Campinas terá segundo turno para prefeito, entre os candidatos Dário Saadi (Republicanos), que recebeu 25,78% dos votos válidos, e Rafa Zimbaldi (PL), com 21,86%, ambos pertencentes à chamada centro-direita. Apesar da disputa ao cargo máximo do município ainda estar em aberto, já é possível traçar um panorama e falar de vencedores e perdedores? Vamos conferir.


Os Vitoriosos

Dário Saad (Republicanos) e Rafa Zimbaldi (PL) vão para o segundo turno em Campinas

Segundo turno é um jogo em aberto, ainda mais em uma eleição como essa, em que a porcentagem de votos entre primeiro e segundo colocados foi tão próxima. Porém, vale destacar a ascensão meteórica de Dário Saadi ao longo de toda a campanha. Na primeira pesquisa IBOPE, do dia 5 de outubro, ele aparecia com apenas 6% das intenções de voto. Em pouco mais de um mês de campanha, ele viu esse número aumentar exponencialmente, até finalizar o primeiro turno na dianteira, com 121.932 votos. Sua vitória é uma vitória também da atual administração, já que Saadi é o preferido do atual prefeito, Jonas Donizete (PSB).

Para Rafa Zimbaldi, porém, a situação é um pouco mais complicada. Apesar de ter chances de vencer, ele, que sempre esteve na liderança segundo as pesquisas, não conseguiu estabelecer uma trajetória de ascensão, mantendo-se sempre entre 23 e 27% das intenções de voto de acordo com o IBOPE. Terminou não só aquém das expectativas, como em um sofrido segundo lugar, já que o petista Pedro Tourinho atingiu 20,49% dos votos, tornando-se uma ameaça durante toda a apuração à vaga de Zimbaldi para o segundo turno. Apesar disso, é importante destacar que a coligação de Zimbaldi elegeu 12 vereadores, contra 10 de Saadi.

Pedro Tourinho também pode ser considerado um dos vencedores. Apesar de não ter conseguido votação suficiente para continuar na disputa, viu seu espólio político aumentar, com uma votação expressiva, a melhor de um petista na cidade desde 2012. Agora, a expectativa é sobre quem Tourinho apoiará no segundo turno, o que poderá nortear os votos úteis de toda a esquerda campineira e ser decisivo no embate entre Saadi e Zimbaldi.


Os vitoriosos da Câmara dos Vereadores

Mariana Conti (PSOL) recebeu mais de 10 mil votos, tornando-se a primeira mulher mais votada da história de Campinas.

Se na disputa para o cargo executivo a esquerda não chegou lá, na eleição para a Câmara de Vereadores ela foi destaque. Mariana Conti (PSOL) se reelegeu ao cargo como a vereadora mais votada, com surpreendentes 10.886 votos - quase 4 mil votos a mais que em 2016. Ela viu não só a bancada da esquerda crescer de 4 para 6 vereadores, como também a de mulheres. A bancada feminina na Câmara de Campinas aumentou de uma para quatro vereadoras, a maior da história da cidade. Por todos esses números, Conti também se mostra, ao lado de Tourinho, como uma possível futura líder da esquerda em Campinas, e poderá alçar voos maiores daqui a dois ou quatro anos.

Outros destaques na disputa legislativa foram o novato Higor do Campo Grande (Republicanos), o segundo mais votado deste pleito (com 7.670 votos), e o vereador reeleito Marcelo Silva (PSD), com 6.858 votos - ante 3.615 de quatro anos atrás - e terceiro mais bem votado.

 

Os derrotados

O ex-prefeito Dr. Hélio (PDT) teve sua candidatura indeferida pela Justiça

Em política, tudo pode mudar. Derrotas e vitórias refletem apenas momentos. Apesar disso, é possível apontar derrotados nas eleições municipais de Campinas. Mesmo tendo recebido 16,72% dos votos, Artur Orsi (PSD), que foi o segundo colocado há 4 anos, terminou essas eleições apenas na quarta colocação. Mais uma vez, sua candidatura não conseguiu deslanchar.

Já o ex-prefeito Dr. Hélio (PDT) foi duplamente derrotado: nas urnas (tendo recebido apenas 1,91% dos votos) e na Justiça, já que sua candidatura foi indeferida, enquadrando-se na lei de Ficha Limpa.

As mulheres na disputa, Delegada Teresinha (PTB) e Alessandra Ribeiro (PC do B), também parecem não ter empolgado o eleitor, tendo ambas recebido menos votos até que Wilson Matos (Patriota).


Os derrotados da Câmara dos Vereadores

Luis Yabiku (PSB), tradicional político de Campinas, não se reelegeu

Nem todos os que perdem uma eleição podem ser considerados derrotados, vide Pedro Tourinho. Por outro lado, nem todos os que vencem uma eleição podem ser considerados, necessariamente, vitoriosos. É o caso de Paulo Bufalo (PSOL). Se nas eleições de 2012 e 2016 ele superou os 6 mil votos, Bufalo se elege nesse ano com apenas 3.374 votos, uma perda de quase 50% de seu eleitorado. O mesmo ocorreu com os vereadores reeleitos Luiz Henrique Cirilo (PSDB) - de 6.805 para 3.593 votos - e Marco Bernardelli (PSDB) - de 5.044 para 2.493 votos.

Mas vamos falar dos derrotados de verdade da Câmara.

Ao todo, 11 vereadores que tentavam reeleição não tiveram êxito. Entre eles, nomes tradicionais da política municipal, como Luis Yabiku (PSB) e Campos Filho (Podemos).


E as pesquisas?

As pesquisas de intenção de voto refletiram quase que fielmente o resultado final das eleições de Campinas. Conseguiram identificar a subida tanto de Saadi quanto de Tourinho, além da estagnação de Zimbaldi. A única exceção foi na votação recebida por Artur Orsi. Segundo as pesquisas, ele apresentava uma tendência de queda, com pontuação máxima de 8%. Acabou com o dobro dessa porcentagem. 


Por Danilo Pessôa

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